Mostrando postagens com marcador album. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador album. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de abril de 2016

#MusicMonday: "LEMONADE", Beyoncé

Ooooi gente!
Sim, demorei pra postar aqui, faz alguns milhões de anos hahahahaha.

Vim aqui para mais um #MusicMonday, mas esse é especial - sobre o recém saído "LEMONADE", o tão aguardado sexto álbum de uma das rainhas do lacre, a maravilhosa "Queen B".

Aqui está meu parecer sobre o álbum. Espero que gostem. Já vou me despedir agora. Até o próximo #MusicMonday! ~Gabs

Primeiro, Beyoncé fala de infidelidade e amor. As músicas "Pray You Catch Me" e "Hold Up" são verdadeiros exemplos disso. A primeira tem um "quê" bem dark e a segunda algo mais romântico.

Em "Don't Hurt Yourself", Beyoncé fala das traições de Jay-Z e empodera a si mesma de forma incrível, colocando sua auto-estima acima de tudo e avisando explicitamente para Mr. Carter que quem vai perder é ele se a trair novamente. (Aliás, falemos de Jack White nessa música -  o arranjo de bateria e guitarra tem blues e temos uma referência aí: Blues é um ritmo da música negra, que foi apropriado pela cultura branca americana. Inclusive, Jack White é um dos grandes nomes do Blues atual, o cara é gênio.)

"Sorry" (que foi escrita beeeeeem antes do "Sorry" de Justin Bieber, segundo um dos produtores da música, MeLo-X) é uma música de fim de relacionamento. Mas não aquelas sofrências deploráveis, que te fazem chorar um Oceano Pacífico de lágrimas: é uma música que fala algo do tipo "ah, ele(a) te deixou? Ótimo. Você tá bem melhor sem ele(a)" e essa é uma mensagem enorme de empoderamento feminino (na maior parte dos casos). Mas essa música tem uma polêmica: no fim da música, Queen Bey fala de uma tal de Becky(?) (e aí pensamos: quem diabos é Becky?) Becky, para uma boa parte dos Beyhives, é Rachel Roy, a mulher com quem Jay-Z traiu Beyoncé (quem nesse mundão de meu Deus trocaria a Beyoncé por alguma outra mulher???). Mas a tal "Becky" passa longe de ser uma pessoa - além de ser um apelido para nomes como Rebecca, por exemplo, "Becky" é uma gíria para o estereótipo de "mulher branca", segundo o site Urban Dictionary (a expressão tem outros significados que são bem mais perjorativos que esse).

"6 Inch", com o The Weeknd, é uma poderosa letra de empoderamento feminino, falando de como uma mulher pode sim ter seu próprio dinheiro e ser bem sucedida e isso não ser da conta de ninguém. A batida é intensa e sombria e lembrou um pouco "Haunted", do seu último álbum, "Beyoncé". A expressão "6 inch heels" é usada como símbolo de poder (porque todos sabemos como Bey ralou pra ganhar o título de "Queen". Mais que merecido, aliás) e a música, como um todo, é um hino do empoderamento feminino.

"Daddy Lessons" é a primeira pisada de Beyoncé na música country (e em uma boa dose de Jazz que, aliás, mais uma vez, é música negra), enaltecendo suas raízes sulistas e texanas (sim, Beyoncé é texana e com muito orgulho, obrigada!) Ela fala de tudo o que aprendeu com seu pai, Matthew Knowles, que foi não só um influenciador em sua vida pessoal, mas em sua vida profissional também.

"Love Drought" claramente fala de amor e de um relacionamento carregado de insegurança e desconfiança, mas fala da tentativa de recuperação desse relacionamento. É uma música com um baixo excelente e o synth usado como se deve, com uma flutuação incrível.

"Sandcastles" é uma das poucas músicas, de fato, românticas no álbum. A voz da Beyoncé nessa música é intencionalmente ferida - é como se ouvíssemos a dor dela em cada palavra - , mas ainda assim cheia de esperanças - fala de promessas que foram feitas e de como a vida real afetou o casamento dela com Jay-Z. É como se ela perguntasse a si mesma o que vem a seguir.

"Forward" é a música mais curta do álbum. E, ao invés da intensidade alta de "Don't Hurt Yourself", temos a serenidade da voz do cantor britânico James Blake. A música toda é serena e a letra quer dizer que, qualquer coisa que tenha acontecido nesse relacionamento, Beyoncé está olhando para frente e está superando.

Em "Freedom" temos um hino pelos direitos dos afro-americanos, junto com o gênio Kendrick Lamar (que se destaca com o álbum "To Pimp A Butterfly" (2015), que falou especificamente de empoderamento negro - a música "Alright" se tornou um poderoso hino de rua). Em toda a música, Beyoncé faz alusão aos acontecimentos da terrível história de escravidão dos afro-americanos e à atual situação de racismo na sociedade atual. Sobre a batida: muito R&B, com certeza R&B!

Ainda, no fim da música, temos uma pequena fala de Hattie White - a primeira negra eleita para um cargo público no Texas, no ano de 1958. Ela diz: "Eu tive meus altos e baixos, mas eu sempre encontro força interior para me tranquilizar. Me serviram limões, mas fiz uma limonada". E foi, provavelmente desse discurso, que veio a inspiração para o nome do álbum "Lemonade".

"All Night", produzida por Bey e Diplo (que, em conjunto com o DJ de música eletrônica Skrillex, forma o Jack Ü) fala sobre um amor sábio, o amor que já experimentou a dor e outros desapontamentos mas que foi capaz de sobreviver a tudo e continuar. A música tem bastante baixo e violinos ao fundo.

Agora falemos dela - hino da resistência negra, contribuição para o mês da História Negra (que, nos EUA, é fevereiro), importante pedaço do movimento #BlackLivesMatter ("Vidas negras importam", em tradução livre) e polêmica no mundo branco-machista-patriarcal (não só americano, mas a nível MUNDIAL!) - a rainha dos lacres e tombamentos, a música "Formation". Essa música está recheada de referências - (1) 50 anos dos Panteras Negras, partido revolucionário que lutava pelos direitos dos negros; (2) a música foi lançada em fevereiro, mês da História Negra nos EUA e (3) fala das raízes sulistas da cantora, das quais ela se orgulha, e muito!

Todos nós acompanhamos o Half Time do Superbowl - a apresentação dela gerou uma enorme polêmica no mundo branco e, de repente, eles descobriram que a Beyoncé (pasme, Brasil) é negra! Houve até um movimento pra boicotar a Beyoncé (?), o #BoycottBeyonce - e, inclusive, tem uma petição rolando na internet para que Beyoncé alise o cabelo de Blue Ivy, sua filha. É por isso que Beyoncé diz em sua música "Eu gosto da minha pequena herdeira com cabelos afro".

E querem saber porquê "Formation" gerou essa enorme polêmica? Porque essa é a primeira música da Beyoncé que não é apenas para dançar. "Formation" nos faz refletir sobre uma ferida exposta e que já deveria estar extinta - o racismo. É uma ferida exposta que expõe a hipocrisia das pessoas quando o assunto é a discriminação pela cor da pele. E é uma ferida que ainda dói em todos os negros e afrodescendentes no século XXI - ainda sentimos a dor das chibatas, ainda vemos nosso sangue ser espalhado e isso não nos agrada. Já ficou quieto por tempo demais.

Os negros são luta. São resistência e ninguém vai nos calar. Não mais uma vez.

O álbum "LEMONADE", em sua essência, é intimista - Beyoncé colocou a vida dela nesse álbum, expôs fatos sobre os quais ainda tínhamos certas dúvidas e falou de amor, de traição e falou de empoderamento e orgulho de nossas raízes. Falou da luta contra o racismo, mostrou um grande aprendizado em todos os aspectos. Beyoncé fez, de fato, como Hattie White - a vida e a sociedade lhe deram limões. Beyoncé espremeu-os e fez a melhor limonada de todos os tempos!

Capa do álbum "LEMONADE"



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

#MusicMondays: "Malevolence", o novo álbum do New Years Day!

E aí galera, Gabs aqui com um #MusicMonday! (Eu deveria estar estudando para a prova da faculdade, mas resolvi passar por aqui rapidinho)

Vim falar o que eu achei do novo álbum do New Years Day, o “Malevolence”!

Mas antes, vamos falar um pouquinho da banda:

New Years Day é uma banda da cidade de Anaheim, na Califórnia, formada no ano de 2005. Atualmente, a banda tem um contrato com a Gray Area Records. Depois de se promoverem e ganharem popularidade através do My Space, a banda gravou o primeiro EP (um self-titled, ou seja, que tem o mesmo nome da banda) em 2006.

A banda começou quando o baixista Adam Lohrbach deixou a banda Home Grown. O EP When It All Comes Down, da Home Grown, tinha alguns elementos de pop punk, então Adam incorporou elementos de emocore, levando consigo o trabalho. Quando o baixista encontrou a vocalista Ashley Costello e o guitarrista/tecladista Keith Drover, eles começaram a explorar músicas que Costello e Lohrbach escreviam, baseadas em suas experiências em relacionamentos fracassados. Logo, a banda colocou o guitarrista da banda Wakefield, Mike Schoolden e o baterista Russell Dixon, colocando o nome de New Years Day na banda.

New Years Day



Sobre o álbum:

Eu escutei todos os álbuns e EPs da banda e posso dizer que eles amadureceram muito musicalmente. “Ah Gabs, quem é você pra dizer isso? Você não entende de música, você não é profissional do ramo!” – Digo que eles amadureceram daquela “sofrência emo” que era a primeira fase deles, no primeiro álbum, a beleza e a melancolia das letras e dos arranjos, a voz delicada da Ash... posso dizer que do EP “New Years Day”, passando pelo álbum “Victim To Villain” e pelo EP “Epidemic”, Ashley Costello foi de gatinha indefesa para leoa com muita evolução. Ela “digievoluiu” musicalmente e isso é fantástico. A banda toda evoluiu, na verdade, não dou os devidos merecimentos apenas à vocalista. O arranjo em geral e as letras estão bem mais maduras. A banda teve dez anos para amadurecer e fizeram isso incrivelmente bem. Ashley grita as frustrações para fora em cada música, e as músicas tem um pouco menos de relacionamentos e decepções amorosas do que tinham anteriormente.

Talvez eles não tenham mais muito de pop punk. Eles ainda têm bastante emocore nas músicas, mas com elementos de heavy metal, defini-los como “metal-emocore” é bem apropriado. Com vários breakdowns maravilhosos (a música que dá o nome ao álbum, “Malevolence”, que o diga!), a revolta e a vontade de ser a voz da resistência, a “voz dos sem voz” é realmente incrível. Adorei esse álbum e o que essa banda está esperando para vir para a América Latina eu, sinceramente, ainda não sei.

Capa do Álbum "Malevolence"

1 – Kill or Be Killed
2 – I’m About To Break You

3 – Alone
4 – Left Inside
5 – Relentless
6 – Save Myself From Me
7 – Suffer
8 – Anthem of the Unwanted
9 – Scream
10 – Your Ghost
11 – Defame Me
12 – Malevolence

Em negrito estão as músicas que eu recomendo! Até o próximo #musicmonday e fiquem com o vídeo de “Defame Me”:


~Gabs